Diário de Viagem - 066/119 - 09/11/2006      Burgos


 -x-x-x-x-x- . Começamos o nosso dia assistindo a celebração da missa na capela de Santo Cristo de Burgus, uma cerimônia muito simples mas muito marcante, pelo ambiente em que foi realizada e principalmente pela presença do Santo Cristo de Burgos.
Seguimos para o Real Monastério de Santa Maria de La Real de Las Huelgas, trata-se de uma construção centenária rodeada por uma grande muralha com traços românico/gótico e que guarda recordações históricas da primeira ordem como o pendão da batalha de Las Navas de Tolosa.
A história do Monasterio inicia-se em 1187, quando o rei Alfonso VIII e sua esposa Leonor, desejosos de converter este lugar em Panteón de Reis e digno retiro de grande número de mulheres pertencentes à mais alta aristocracia e a realeza, conseguiram, graças ao apoio do Papa Clemente III e do Abad de Citeaux, Guido, levar adiante uma nova fundação em Burgos, dando lugar ao nascimento do Monasterio de Santa Maria de La Real de Las Huelgas.
A iniciativa foi muito bem acolhida, se convertendo cedo numa realidade.
No entanto, a ideia de Alfonso VIII de fazer deste Monasterio, Cabeça e Matriz de todos os conventos femininos cistercienses de Castilla e León, lhe ia trazer sérios problemas e grande oposição por parte dos monastérios que agora Huelgas pretendia pôr sob seu controle, dado que tinham sido fundados com anterioridade.
Perales, Gradefes e Canas foram os que se mostraram mais reticentes com esta nova fundação, bem como aceitar como cabeça reitora deste monasterio recém fundado, tendo em conta que todos deviam prestar obediência, como filiais que eram, ao Monasterio de Tulebras, em Navarra, primeiro monastério de freiras cistercienses espanholas fundado em 1157.
O conflito será longo e complicado, mas ao final o rei conseguirá seu propósito e em 1199, além de solucionar o problema, este Monastério incorporar-se-á à Ordem do Císter, pondo-se sob a jurisdição da abadia de Cîteaux.
A partir deste momento, as Huelgas constituirá uma Congregação composta pelos monastérios de Torquemada, Gradefes, Carrizo, Perales, San Andrés de Ribeiro, Canas e Fuencaliente, aos que se uniram, com o tempo, os de Vileña, Villamayor dos Montes, Renuncio, Varria e Avia, sendo um total de doze abadias as filiadas a este monastério.
Gozou, desde seus inícios, da protecção de Papas e Reis, e nele, além de se coroar Alfonso XI e seu filho Enrique de Trastámara, se armaram cavaleiros Fernando III, Alfonso XI, Pedro I e Juan II.
O desejo de converter-se num autêntico panteón funerário, não só de reis senão também de nobres, cedo fá-se-ia realidade.
Assim entre os sepulcros mais destacados, devemos assinalar os do próprio fundador, acompanhados por suas rainhas consortes e infantes de sangue real.
Menção especial merecem os sepulcros de dom Sancho, filho de Fernando III o Santo e arcebispo de Toledo; a tumba de doña Branca de Portugal e de doña Berenguela (filhas dos fundadores), bem como o sepulcro de dom Fernando de la Cerda e da infanta Leonor. Nosso roteiro, Cidades pelas quais já passamos e iremos passar... Grandes foram os privilégios e doações por parte das mais distintas instituições civis e religiosas. A isso, devemos unir o extraordinário patrimônio econômico que conseguiu, chegando a se converter num autêntico senhorio material, além de jurídico, assentado sobre um foro particular que delegou a abadesa o papel civil e criminal.
Também não devemos esquecer a autonomia espiritual tão grande que teve, e que só dependia do Papa, de maneira que, ainda que como mulher não podia assumir as funções de celebrar missa, confessar, nem pregar, no entanto, era ela, a abadesa, a que dava icencias como os mesmos bispos.
Estes direitos praticamente conseguiriam manter-se até a segunda metade do século XIX, ao suprimí-los o Papa Pío IX, em 1873, em consequência da Bula "Quae diversa", promulgada para regularizar a situação dos territórios exentos em Espanha, submetendo o monastério e seus filiais a seus respectivos bispos ordinários do lugar.
Oito séculos passaram, ainda que não em vão, por esta abadia; e assim agora ainda que desapareceram todos seus títulos e suas riquezas materiais, ainda hoje podemos afirmar que o monastério segue vivo.
Na atualidade são 44 freirass que constituem sua Comunidade, das quais 6 se encontram na recente fundação do Monastério de Lurín, em Lima (Peru), iniciada no final de dezembro de 1992.
Pertencem à Congregação cisterciense de San Bernardo, formada por 25 monastérios.
Aqui reside a Abadesa Presidenta da Congregação; têm lugar os Capítulos Gerais e guarda-se o arquivo da Congregação.


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Mendes  @   Rosa Maria

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